Möbius estreia com gestão de ativo judicial

Gestora foi criada por executivos que se conheceram no Credit Suisse


Por Adriana Cotias — De São Paulo — Valor Econômico



No mundo dos alternativos, quem chega com a proposta de se diferenciar no universo da gestão de recursos é a Möbius Capital, criada por executivos que se conheceram no Credit Suisse. O time é formado por André Petersen, Murilo Moura, Eduardo Almendra e Renato Herkenhoff. Com a atuação em crédito estruturado e gestão de ativos alvo de disputas judiciais, os executivos querem construir um negócio de longo prazo, e não surfar na onda de novas assets, que parecem ser “a paleteria mexicana” da vez.


“Todo mundo aqui tem uma carreira bancária de longa data, eu me questionei muito se fazia sentido ir para o negócio das gestoras, para onde todo mundo estava indo”, diz Herkenhoff, que fez um sabático quando deixou o CS em 2019, após quase 13 anos no banco. “Mas, com muito conforto, minha resposta foi que sim, porque o grande diferencial é a capacidade de originar ativos. Na parte dos ilíquidos, a concorrência é muito menor e há uma demanda grande por coisas diferentes.”


O executivo conta que na fase em que cumpria a cláusula de não competição, prevista no seu contrato com o grupo suíço, teve muita dificuldade como pessoa física de investir nas alternativas que lhe foram propostas. “A oferta era muito ruim para quem viveu a vida de originação de produtos, sabe qual o valor dos ativos que são originados e quanto dinheiro é distribuído ao longo da cadeia.”


Almendra, que foi diretor do Banco Fibra e da divisão corporativa do Bank of America depois do CS, diz reconhecer a importância dos canais de distribuição para a democratização dos investimentos, de levar um instrumento tradicionalmente destinado ao público qualificado para o varejo. Mas como a Möbius vai trabalhar na originação e estruturação dos créditos, maior a chance de obter retornos diferenciados, afirma.


O primeiro fundo que começou a ser captado pela regra de esforços restritos de distribuição da CVM (via instrução 476) é o de ativos judiciais. Herkenhoff estima levantar pouco mais de R$ 100 milhões até janeiro, quando o portfólio fica então fechado para novos aportes ou saques por oito anos.


No alvo estão créditos privados e públicos, estaduais, municipais e federal. Ele cita que diferentemente de títulos públicos, debêntures ou outros tipos de crédito privado, esse é um ativo que tem vida própria. “Você não sabe com assertividade a data do pagamento, tem o direcionamento da fase processual. Por isso, tem que ter muita disciplina na originação.” O foco é em aquisições primárias, capturar prêmios pela iliquidez, sem entrar em créditos estressados.


Almendra afirma que o plano é comprar operações com tíquetes entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões, um nicho menos disputado por grandes bancos e plataformas. Petersen acrescenta que um fundo muito grande tem que entrar em teses bilionárias que impactam o orçamento público. Ele cita que tem evitado os precatórios federais. “Muita gente negociava como se fosse uma NTN-B. Na hora que tem uma restrição orçamentária, uma das rubricas do precatório... o risco não estava dentro do preço.”


O segundo fundo a ir para a rua é um multimercado que vai fazer gestão ativa de crédito estruturado. O plano é captar entre R$ 200 milhões e R$ 400 milhões, num veículo com prazo de oito anos.